Tinha o cheiro
Tinha o cheiro de um abraço
A visão de um pescoço
A sensação de chegada
Um ambiente de aeroporto
E um sorriso escancarado
Apareceu nesse rosto.
Esse cheiro indescritível
Que hoje eu sinto gosto
Numa cadeira jogado
Deitado neste encosto
Me faz lembrar das fungadas
Na sua nuca, cabelos e ombros.
Esse saudosismo passa
Quando a realidade chega
E me faz lembrar sem pena
Da sensação de partida
Naquele mesmo porto
Que outrora riso havia.
Agora há choro no meu rosto.
A visão de um abraço
E o sorriso desengonçado
Desmanchou-se quase sem graça
E o suspiro foi liberado
No fim de um beijo em desespero.
Sim, ainda sinto o cheiro.